Quando a vida alheia se torna mais interessante
Written by Daniel on 25 de fevereiro de 2008 – 17:19 -
Viver para si e consigo parece já ter perdido todo o sentido, as coisas repetitivas e o nosso cotidiano fazem com que a nossa própria vida perca totalmente a graça. As mesmas ações, pessoas e atitudes tem nos tornado cada vez mais seres automatizados e totalmente sem controle sobre si próprio. Conseqüentemente as aspirações que imaginamos parecem sempre estar presentes na vida e cotidiano de outrem, assim a vida deles parece ser sempre mais interessante e com significado mais importante.
Ver no outro o corpo ou a inteligência que gostaria de possuir são dois grandes motivos do interesse pela vida alheia. Posso até errar em dizer, mas enxergar no outro a parte física como um objeto de desejo é um ato comum a população mundial. Aqui não atribuo somente nós brasileiros que temo interesse demasiado na vida do outrem, mas sim a todos os seres humanos que vivem a cobiça do corpo perfeito, visto os altos números de pessoas com doenças psicológicas em busca de tornarem-se o ‘Homem Vitruviano’.
Fanatismos fazem com que cada detalhe da vida da pessoa deva ser conhecido, estudado e revelado aos demais. Ter uma vida pública pode ser benéfico se olhada de vários ângulos, mas a exposição é algo ruim visto que toda ou quase toda a privacidade seja perdida.
Pode parecer simples demais, mas a falta do que fazer também é um dos motivos para importar-se mais com a vida alheia do que consigo. O simples fato de desligar-se de si mesmo (o que às vezes é necessário) faz com que as pessoas voltem toda a sua atenção para outrem. Tal atitude já ’soa’ como normalidade na sociedade em que vivemos, sociedade essa que valoriza a inversão de valores e que é cada vez mais aceita pela grande massa.
Se existe uma coisa que eu realmente acho babaca no mundo das redes sociais e na vida cotidiana são as gurias (em grande parte tais frases são proferidas por gurias) que perseguem um pensamento padrão, quem já não viu as famosas frases:
“Gostou, pega ficha. Pegou a ficha, final da fila. Final da fila, espera tua vez. Chegou a tua vez, pega de jeito. Não pegou de jeito, abriu para a concorrência. Abriu pra concorrência, perdeu. Quer de novo? Pega fichar. Chegou a tua vez, desculpa mas figurinha repetida não completa álbum”
“Você tem inveja, nunca poderá ser melhor do que eu”
Estas duas frases denotam o verdadeiro retrato da padronização que a sociedade vem impondo as pessoas, tal fato faz com que as mesmas percam o interesse em si próprias, como já citei mais acima. Muito embora em alguns casos exista realmente a inveja de alguém sobre outrem. Este sentimento é inerente as pessoas e saber contorná-lo é mais simples do que muitos imaginam.
Muito embora tais atitudes em geral denotem ser prejudiciais, vale ressaltar que o interesse na vida do outrem pode ser benéfico até certo ponto. Isso quando tal interesse for para o benefício do outrem, do seu bem estar e da felicidade do mesmo, pois todos necessitamos sentir e saber que existem pessoas que se preocupam conosco.
Com o passar do tempo as pessoas aqui denominada ‘xeretas’ acabam perdendo todas as carterísticas pessoais, doando-se por completa a vigiar a vida de outrem e chegando até mesmo a vivenciar as mesmas situações. A total perca de si volta ao início de tudo, que é a total perca de interesse por si e pela vida própria.
Por fim, viver sem interesse total pela vida alheia seria impossível, preocupamos com muitos detalhes das pessoas que gostamos, mas tornar isto uma filosofia de vida faz-se extinguir a si próprio, gerando padronização é ignorância, certamente por isso programas como BBB façam tanto sucesso no Brasil. A sociedade já tem nos exigido muitos padrões de comportamento, não queiramos aceitar mais este de forma satisfatória e benévola.
Tags: filosofia, outrem, pessoas, vida alheia
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No Responses
to “Quando a vida alheia se torna mais interessante”
1 Trackback(s)
- abr 20, 2008: Blog do Lucho

By Evandro on fev 25, 2008 | Reply
E não é por nada que os blogs sobre fofoca estão crescendo tanto, nada contra esse tipo de blog, todos são livres não é? Mas mostra bem o que está acontecendo e isso é no mundo todo, assunto bem interessante esse…
[Reply]
By Darto on fev 26, 2008 | Reply
Excelente post! Mostra os dois lados da moeda…
Como tudo na vida, o interesse pela vida alheia tem que ser coisa equilibrada…gosto de ler opiniões em blogs[que foram feitos para isso! :P] e até orkut[mas aí é mais difícil, tem páginas que berram "ALT+F4,ALT+F4!"].
Os famosos reclamam da falta de privacidade, mas fizeram de tudo para perdê-la…o único exemplo que me vem à mente de alguém que lida bem com a fama é do Will Smith[mas eu vi só uma reportagem sobre isso, não é lá fonte muito confiável].
E, é claro, sempre tem os fanáticos, que pagam os salários dos paparazzi…["Fanaticism consists in redoubling your effort when you have forgotten your aim", George Santayana]
Gosto de analisar as pessoas e suas opiniões, tentando prever suas atitudes, mas nada de ficar manipulando[seria mais correto "tentando manipular"] a vida dos outros, isso não é um jogo[sem contar que para analisar um sistema corretamente não deve existir interferência indevida]. Sou um pouco curioso. No entanto, passo muito tempo pensando em minhas próprias opiniões, e me divirto mais desse jeito! Acho que vejo como os outros agem só pra me entender melhor! xD
Pessoas olha param famosos como símbolos do prazer e do modo de vida que todos deveriam seguir, como se tudo fosse perfeito…do mesmo jeito que olham pro bebê do vizinho achando tudo aquilo muito fofinho, mas só depois de se certificarem mentalmente que nem as contas nem as trocas de fralda serão sua responsabilidade…
Isso é aproveitar o que a vida do outro tem de melhor. Particularmente, prefiro sofrer alguns reveses e viver a minha vida do jeito[besta e feliz] que eu achar razoável.
Não imaginam como eu acho quente o conteúdo de “101 Hollywood Hotest Hookups”! O melhor é ver os especialistas[doutores na matéria] comentando…
Sobre a padronização imposta:
“We get some rules to follow
That and this, these and those
No one knows
We get these pills to swallow
How they stick in your throat
Taste like gold…”
[Reply]