Fanático não..
Written by Daniel on 17 de março de 2008 – 11:40 -Depois de um ano de preparo, minha irmã finalmente fez a sua confirmação (primeira eucaristia para os católicos). Ocasiões como esta numa família devota são passíveis há dias inteiros de stress e correria, e muito gasto.
O grande dia chegou, 15/03/2008 estávamos nós, dentro da igreja esperando para que o culto começasse, e eu como um bom e velho ser anti-social sentei-me logo na ponta não deixando espaço para que qualquer casal sentasse ao meu lado esquerdo, já no lado direito haviam muitas cadeiras e eu não tinha o que fazer.
Depois da igreja quase cheia e a minha fileira sem mais ninguém além de mim, 2 casais resolvem sentar-se e ver se eu os mataria ali mesmo. Ao passar dos minutos as pessoas viram que naquela fila era possível sentar e que o garoto à beira do corredor não tentaria qualquer ataque.
Os sinos badalam, somente mais duas horas de culto e estaríamos livres para a festa. Mas como todo bom evento brasileiro não faltariam os atrasados. Eis que novamente adentram-se na igreja dezenas de pessoas correndo enquanto a mestre de cerimônia falava sobre o que era a confirmação e o que ela significava na vida do confirmando.
A cadeira a minha esquerda ainda se encontrava vazia, quando do nada surge uma mulher e pergunta se ela poderia sentar-se, como uma pessoa educada que sou confirmei com a cabeça que sim. Uma das coisas que eu temia estava pra acontecer, depois de tudo eu pensei que deveria treinar mais a minha antipatia.
A senhora que se sentou ao meu lado tirou a sua bíblia e começou uma reza não discreta que pessoas duas filas à frente perceberam, para a sorte do pastor a igreja contava com acústica boa e um sistema de som eficiente.
Cânticos, todos os cultos tem cânticos felizes e o pastor mostrava-se sempre motivado em empolgar a platéia. A senhora ao meu lado, é claro não precisava de motivação alguma, porém faltava um pouco de bom senso a mesma de que a liberdade dela terminava aonde começava a minha e das demais pessoas. Cantando e rezando em voz muito alta e totalmente fora do tempo, isso quando não errava a letra, a mulher tornou-se motivo de risos das pessoas de outras fileiras, eu me contive o quanto pude. No entanto a emoção com aquela festividade religiosa era tamanha que ela não pode conter as lágrimas.
Assim seguiu-se pela cerca de duas horas de culto, a mulher chorando, rezando e cantando para que todos a ouvissem e soubessem que ela era devota de Deus. Nada contra as religiões, creio que elas tiveram seu papel beneficente no passado e continuam tendo atualmente. Contudo, exageros são totalmente desnecessários. Se a própria bíblia faz menção de que não é necessário qualquer exagero ao demonstrar sua fé, e encoraja os devotos a fazê-la de maneira silenciosa em seu ‘canto’, gostaria de entender porque essas pessoas não a fazem. Não seguem a palavra de Deus (porque o conceito da bíblia é que ali consta as palavras do mesmo).
Como toda igreja necessita manter seu caixa atualizado, a empolgação do pastor na hora de pedir doações não mudara, até pareceu-me melhorar. E o discurso não muda nunca, sempre as mesmas palavras de que a quantidade doada equivale à fé da pessoa e o agradecimento das graças concedidas. Como diz o ditado, “em time que esta ganhando não se meche”.
Ao final eu sai de lá ainda com vida, não fui queimado na cruz muito menos sacrifiquei qualquer fiel. E minha irmã e meus pais saíram felizes e com a fé renovada.
Tags: choro, confirmação, igreja, reza
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By Evandro on mar 18, 2008 | Reply
Tem que ter paciência mesmo!
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By Rev. Peterson Cekemp on mar 19, 2008 | Reply
Já eu não. Se eu entro numa igreja começo a queimar, haehaeheaheaheaheaea.
Odeio, odeio religiões. É tanto que um amigo meu esses dias disse que eu às vezes era chato com isso. Mas, o que eu posso fazer? Estudo num colégio católico rodeado de pessoas ignorantes por acidente e ignorantes por opção. Eu falei pra ele o seguinte: “Eu sei =/ Mas pra quem saiu da jaula, irrita saber que ainda tem gente dentro dela”.
Religiões nunca tiveram papel beneficiente algum que ultrapassasse as baráries que fizeram e a aberração lógico-ética que são. Sou bem “Dawkins” nesse sentido mesmo.
Agora é importante notar uma coisa que eu pensei ontem: os ateus/agnósticos não gostam dos religiosos por uma questão de ignorância. Os cristãos não gostam dos ateus/agnósticos por uma questão de moralidade. Mas os ateus e agnósticos tem, sabidamente, um nível de tolerância maior. E as pessoas toleram a ignorância com muito mais facilidade do que toleram algo que chamam de “mau”, “perverso”, etc.
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By henriquewint on mar 19, 2008 | Reply
Concordo em partes
Eu acho sim que a igreja teve seu papel influente de bom sentido mesmo com ‘maldades’. Creio que muitas pessoas pensaram duas vezes antes de cometer alguma atrocidade por medo de ir pro inferno.
E quanto a ignorância e moralidade, também é sabido que ateus/agonósticos procuram ter um nível de conhecimento maior e melhor, mesmo sobre as religiões.
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By Diego on mar 20, 2008 | Reply
Não gosto de religião, não gosto de ir à igreja. Acho que as pessoas esquecem-se de viver suas vidas e ficam só lá, na igreja, pedindo por milagres. “Faça eu arrumar um trabalho”; se eu fosse Deus responderia: então vai procurar vagabundo!”.
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By Lucho on mar 21, 2008 | Reply
HAUHAUHAUHAUAHUAHAUAHUHA!!!
Nossa, mas que Deus malvado você seria.
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By Darto on mar 21, 2008 | Reply
Acho que religiões tiveram papel benificente, e ainda têm. Tudo tem algum lado bom. O problema é que nas religiões existem pessoas, e pessoas são problemas.
A Igreja Católica reagiu de modos diferentes em épocas diferentes, dependendo do grupo que estava no controle…ela é uma organização política e hierárquica, e não deixará de sê-lo.
Antes de Copérnico, um padre fez estudos onde concluiu que talvez a Terra não fosse o centro do universo. Sabe o que aconteceu com ele? Continuou sendo padre. Acontece que, na época de Copérnico, o papa e seus fiéis subordinados achavam que os dogmas da Igreja não poderiam mudar, senão a igreja acabaria.
Claro que isso não justifica nada. Mas é bom pra ver que a igreja tem suas nuances.
Sempre achei que a igreja deveria manter seus princípios[os bons], e deveria se sacrificar para ajudar seus fiéis. Em épocas como a do nazismo, ela primou por sua sobrevivência, não criticando as atrocidades cometidas. Talvez argumentem que, se a igreja acabasse, não poderia ajudar ninguém. Acho que ela deveria correr o risco. O papa que fechou o bico pro nazismo fez uma encíclica no final de seu “papado”[acabou antes do fim do nazismo]. Ele morreu, e o papa sucessor não publicou a encíclica. Seria a redenção da igreja.
Hoje o papa é um conservador, não mudará os dogmas e não liga se perder fiéis por causa disso. Acha que o tempo de “igreja para massas” acabou.
Não sou católico, não tenho religião, e não estou defendendo a igreja. Só acho que toda moeda tem dois lados. E acredito em Deus, não necessariamente um velho barbado, mas uma existência fundamentalmente diferente da nossa, que possa ter surgido do nada.
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