Saiba conviver com a sua dor
Written by Daniel on 23 de abril de 2008 – 2:01 -Um fato ocorrido com um amigo meu neste final de semana me fez pensar sobre isso, será que somos capazes de conviver apenas com a nossa própria dor ou a de um familiar? Ou sempre estaremos angariando parte da dor alheia para nós? A fim de fugirmos das nossas próprias dores!?
Penso que por não sabermos conviver corretamente com a nossa própria dor usamos deste artifício (angariar a dor alheia) para termos uma fuga e aliviarmos à alma. Contudo em todas as postagens que falei a respeito das ações humanas, em boa parte delas, se não todas, eu via as ações como uma fuga do próprio eu. Estamos preparados a viver com a dor? Aliás, estamos preparados para viver?
Todos temos os nossos fantasmas, isso é inerente a qualquer ser, todos conhecemos nossos medos (ou deveríamos conhecer) e até mesmo sabemos como sanar estes problemas, mas será que estaríamos prontos para isso? Será que teríamos coragem de viver em paz conosco? Seria possível alguém aguentar viver por longas épocas como se fosse a própria terceira pessoa de si? Eu particularmente ainda tento, eu fujo, contudo eu convivo.
Voltando ao meu amigo, ele assumiu a dor de cotuvelo da guria pela qual ele esta apaixonado. Ela acabou de terminar um namoro e como em boa parte dos casais ela esta sentindo um certo ódio pelo ex, meu amigo acabou assumindo este ódio, que antes era uma amizade. Até que ponto estaríamos dispostos a assumir a dor alheia? Será que isso valeria a pena, certos sacrifícios são válidos em casos semelhantes?
Eu particularmente tento me manter afastado das dores alheias, muitas vezes tento me manter afastado das minhas próprias dores. A meu ver cada indivíduo deve conviver com a sua própria dor, sem que um terceiro assuma parte dela e acabe se envolvendo em cenários que antes eram de paz. É a velha estória, ‘faça o que eu digo, não o que eu faço’.
Então, enquanto me viro nos lençóis
E novamente não consigo dormir
Saio pela porta e sigo pela rua
Olho as estrelas sob meus pés
Recordo de justos que tratei mal
Então, aqui vou eu
James Blunt - Same Mistake
Confuso? Nem tanto, ou talvez somente o bastante.
Tags: alheia, conviver, dor, eu, ódio, pessoas, vida, viver
Posted in Filosofia de banheiro |

By Evandro Cesar on abr 23, 2008 | Reply
Você abordou muito bem o assunto, temos mesmo essa tendência em nos preocupar mais com a vida dos outros do que com a nossa. É difícil se olhar no espelho, acho que por isso fazemos algo assim…
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