Sobre a concepção de extraterrestres e nossa procura:
Written by Daniel on 2 de agosto de 2008 – 12:00 -Tudo se resume à nossa deficiência em abstração: os melhores de nós são visionários, mas míopes.
Lá no noticiário:”Encontrado mais um planeta onde é possível encontrar água. Foi dado mais um passo para encontrar vida fora da Terra.”
E lá vem mais uma saraivada de condenações:
“Quem foi que disse que só onde tem água que é possível ter vida? Como esses pesquisadores são tão burros assim? Tão cegos?”
Sim, sim, eles são cegos, mas enxergam bem mais que eu. Eles sabem que pode existir vida sem água. Pode existir uma vida que não tenha nada de parecido com a nossa, é claro! Mas me digam os condenadores, como os cientistas procurariam por algo que não conhecem? A vida diferente pode ser invisível para nossos olhos, inaudível para nossos ouvidos e até intocável para a nossa matéria!
Eles são cegos, mas têm consciência disso. Sabem que a “única” escolha é restringir a busca para uma vida que já saibamos como funciona, ou como funcionou. E mesmo assim são grandíssimas as possibilidades de existência fora do nosso planeta.
“Mas como? Eles descobrem tanta coisa “nonada”, e não conseguem imaginar uma vida basicamente diferente da nossa?”
Me diga como os cientistas sabem que uma teoria está certa. Eles não sabem que ela está certa. Sabem que ela não está errada, e isso é muito diferente. Ela não está certa, só ainda não perceberam uma situação onde ela não se aplica. E olha que muitas das teorias que usamos não se aplicam em alguns pontos. As leis da mecânica clássica não se aplicam a partículas muito pequenas, e mesmo assim as usamos…..sabemos que ela está “certa” se restringirmos as situações.
Esse modo de provar teorias é resultado da nossa falha em abstração. Mas me diga, como abstrair totalmente? Isso é válido? Não sei. Dizem que Einstein abstraia imaginando experimentos[de impossível realização factual] e seus resultados. Assim elaborou suas teorias. E ele acertou! Será?
De qualquer modo, nem todos são Einstein. Se a busca é restrita para algo que sabemos que é possível[porque vimos acontecer], então as chances de engano e “esforço perdido” são menores. E mesmo com essa restrição são grandes as chances de sucesso. Tá, não sucesso na procura…..mas são muito grandes as possibilidades de existirem seres basicamente iguais a nós no universo.
Depois de ter xingado muito os cientistas, de ter conversado com meu professor de química geral e pensado um pouco, me senti envergonhado. Quando vejo algo que pareça estúpido vindo de alguém que deve ser brilhante, sempre duvido muito. Depois de mais um tempo pensando, mudei mais um pouco. Sempre que vejo algo que pareça estúpido vindo de alguém que pareça estúpido, duvido muito. Primeiro porque mesmo os “estúpidos” são intrincados; segundo porque gente muito inteligente costuma querer parecer idiota.
Lá nos relatos:”Ah, eu vi, era pequeno, verde, dois olhos vermelhos, dois braços finos, cabeça grande…..”
Por que dois braços? Por que braços? Por que dois olhos vermelhos? Por que olhos? Por que cabeça grande? Por que cabeça?
Me parece simples…..o relator[buraco negro de atenção ou esquizofrênico] não tem capacidade de pensar em nada muito diferente de nós. Ele não sabe abstrair. Nem seu subconsciente[(talvez)no segundo caso] sabe.
Estamos muito presos a certos pressupostos. Falo, falo, mas sempre acabo no mesmo lugar. Irônico como não consigo me livrar deles.
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By rev. Beraldo on ago 2, 2008 | Reply
O que você disse faz todo o sentido. Recomendo a leitura de Pálido Ponto Azul, do Carl Sagan. É um puta dum livro. Se não me engano, Sagan propôs algo como vida baseada em oxigênio (e não em carbono) e a partir daí demonstrou que ela é possível.
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By henriquewint on ago 2, 2008 | Reply
Eu também já me questionei se eles deveriam ser “exatamente” como nós somos ou se os desenhos de super heróis com alienígenas bizarros estavam certos.
Contudo, não deixo de acreditar que eles possam se parecer conosco.
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