Inflói e contribói
Posted by henriquewint on
April 17, 2008
Ontem à noite eu estava na lanchonete da faculdade jantando o tradicional pastel de frango com Frukito e olhando televisão, no entanto uma propaganda me chamou bastante atenção pela informação ‘distorcida’ que passava, usando como argumento à famosa liberdade de expressão.
A propaganda (se não me falha a memória) foi feita pela ABERT e tem como objetivo defender a liberdade de expressão das marcas de cerveja, dizendo que as mesmas não têm a culpa pelo alto número de acidentes de trânsito, violência e demais males causados pelo alcoolimo, julgando de forma pejorativa as pessoas que realizam estes atos. Mas me parece que eles faltaram às aulas do tio Jobs para aprender como funciona o campo de distorção da realidade.
Nas propagandas de praticamente todas as marcas de cerveja o que não pode faltar é gente bonita, muitas mulheres de biquíni exaltando toda a sua beleza e a diversão da galera em qualquer lugar. Algumas ainda vinculam que antes de estar ingerindo a bebida o momento é chato, as mulheres são feias e gordas e tudo é estressante. Contudo existem variações de propaganda conforme a marca. As cervejas consideradas mais top’s não vinculam propaganda na televisão, utilizando somente o meio impresso e em boa parte suas propagandas falam da cerveja em si, dos métodos de fabricação da mesma e da qualidade. Com as marcas mais povão o que esta em alta é exibir modelos com homens baixinhos, feios e gordos, denotando assim que sem o consumo de tal marca de cerveja isso não seria possível, sempre com o copo cheio e cartazes espalhados por todos os lados com o logotipo da marca.
Como a mentalidade da população brasileira é facilmente alterada, opiniões são implantadas num estalo de dedos, essas propagandas denotam facilmente que somente ingerindo a tal cerveja é que a pessoa poderá ser feliz, ter seu lugar ao sol e ficar com aquela guria linda e gostosa.
Toda propaganda influi os telespectadores a consumirem o produto ao qual esta se fazendo a propaganda, sem distinção do tipo de produto. E me parece que é isso que a ABERT não esta querendo enxergar, que incentivar o consumo das bebidas alcoólicas é sim um dos fatores culpados pelo alcoolismo, que o incentivo do consumo faz sim motoristas saírem bêbados e matarem, que o incentivo é um dos fatores prejudiciais a todos os males que envolve bebidas.
O projeto que esta em trâmite não proibi a vinculação da propaganda de bebidas alcoólicas, no entanto limita horários em que elas devem ser feitas, e o horário é justamente o dito nobre, justamente no horário em que as emissoras alcançam o maior números de telespectadores. A meu ver não existem motivos para reclamação e caso eu tivesse o poder de decisão sobre o conteúdo das propagandas, praticamente todas seriam banidas caso não se adequassem as regras.
O Arthurius do Visão Panorâmica comentou comigo certa vez que cada um deve decidir o que é melhor para si em vários quesitos, porém a indústria tem abusado da baixa capacidade de discernimento da população Brasileira para encher ainda mais seus cofres, e como esta mesma população é incapaz de decidir para si o que é prejudicial ou não resta aos políticos tomarem uma decisão para frear um pouco esse abuso, vez e outra eles tomam alguma decisão importante.
Por isso eu afirmo, a propaganda inflói e contribói sim, e digo mais, a propaganda da ABERT foi muito infeliz, da próxima vez eu sugiro que eles não digam ao povo que eles são irresponsáveis, idiotas (mesmo sendo) e que a indústria é a coitadinha da estória. Diz um ditado que o consumidor tem sempre a razão, e falar o contrário em horário nobre fica feio.
Eu sou a favor dessa limitação de horários para a vinculação da propaganda de bebidas alcoólicas, bem como a proibição das vendas das mesmas em postos, bares e restaurantes que ficam nas margens das estradas, e que venham também as novas leis do trânsito.
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O carnaval e suas conseqüências
Posted by henriquewint on
January 26, 2008
Tudo muito bem, tudo muito lindo, festa, praia, sol e mar. O país praticamente parou no final de dezembro e só vai voltar a rotina após a primeira quinzena de março, afinal, é carnaval.
O Brasil é conhecido no exterior como o país do carnaval e da caipirinha, e nós fazemos juz a isto. Muito embora, a festa traga felicidade a população, as conseqüências da mesma também fazem com que o país fique com uma imagem ruim no exterior.
Não tive a oportunidade de presenciar os bailes de carnaval de algumas décadas passadas, mas dado o conhecimento que tenho sobre os mesmo, tais festas, me pareciam muito mais com a proposta do carnaval, que é, trazer alegria e diversão para as pessoas. O carnaval atual, tem se resumido em grande parte a sexo, bebidas e acidentes.
Munidas de belos corpos, alegorias ernomes, as escolas de samba parecem ter perdido a sua essência. Nada mais importo além de ter aquela atriz global famosa como rainha da bateria e fantasias enormes e pomposas. Importam de qualquer lugar do país, as passistas mais belas, deixando para as mulheres da sua comunidade, que fizeram esforços às vezes muito além da sua capacidade, em segundo lugar.
Voltando-se um pouco mais ao norte, temos não apenas os desfiles das escolas de samba, no norte, predominam ainda um pouco da cultura útil do carnaval, embora boa parte já tenha sido banalizada pela população afoita por sexo e bebidas.
Uma época do ano, em que sublinarmente o uso exagerado de bebidas alcoólicas e influenciado, milhares morrem nas estradas devido ao seu estado de embriagues, mas poucas atitudes sérias são tomadas.
Teríamos transformado uma das principais festas do país num enorme festival de banalidades futilidades? Ou será que a inocência e diversão dos bailes de carnaval de antigamente ainda existem?
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