Brincando com o referencial
Written by Daniel on 28 de julho de 2008 – 5:29 -Quando faço as coisas no automático vejo quase tudo como concreto, definido, não-flexível e estático.
Quando estou satisfeito isso pode ser bom. Mas não passo muito tempo completamente satisfeito. Pareço menosprezar automaticamente o que já consegui.[não coloquei feliz aqui porque estou quase sempre nesse estado, então ele é o "normal" e não será citado]
Quando estou triste, isso não é nada bom. Parece que não tem saída, que estou fadado ao vergonhoso fracasso. Jorram projeções das consequências, e a pior delas é ter que me aguentar depois. Muito mais fácil é lembrar mecanicamente do sentimento do sufoco e numerar a qualquer hora o que me sufoca. E nisso eu fico focado, como uma engrenagem se atém ao seu trabalho.
Mas chega logo o momento em que canso, e começo a pensar no que, possivelmente, me deixa abatido daquele jeito. É aí que eu vejo que é coisa fútil. Mas não paro por aí. Não me ontento em sentir-me neutro. Eu quero humilhar o sufoco. Eu mudo o meu referencial. Eu penso no que consegui até o momento. Me convenço que já fiz muito, é, fiz muito sim. Eu me sinto satisfeito, realizado, sossegado, pronto pra terceira guerra mundial. Sinto que poderia perder tudo, e ainda sim seria feliz. Só não seria feliz se eu fosse nada. E isso não quer dizer que eu seria triste.
Muito estranho. Mais estranho ainda é saber que esse processo se repetiu muitas vezes no primeiro semestre do ano. Num momento na fossa, noutro, no Olimpo. Como pode? Parece que eu brinco com o meu referencial. Eu brinco com a minha percepção. Eu brinco com a minha realidade. O “problema” é que eu faço isso muito facilmente! Consigo me convencer do que eu quero. Parece dupla personalidade? Talvez seja um resquício disso…..mas me soa mais como eu contra o universo. É que eu pressupus que o “universo” não passa de uma representação que eu fiz dele, e por isso parece uma discussão comigo mesmo. Eu brinco com os meus sentimentos. Levanto-os pra limpar a estante, e coloco-os de volta, se quero. Eu me conforto. Não preciso rezar pra isso. Não preciso crer.
Creio, mas não sei no quê. Creio em algo fundamentalmente diferente de nós, que pode ter surgido do nada e nos dado a oportunidade de existir. Não sei se é onipotente, mas acho que não. Pode acompanhar cada passo de cada ser, ou não. Amo-o por ter possibilitado a existência. Por ter conseguido fazer isso, me parece estar num plano completamente, fundamentalmente diferente. Costumam chamá-lo de Deus. A mim, não importa o nome.
Assim, parece que concordo com alguns pressupostos dos mais comuns, mas não é bem assim. Talvez o tempo ande pra frente e pra trás. Então nada precisaria ser criado. O universo se criaria e acabaria, e depois iria do fim no começo, infinitamente. Talvez seja tudo um ciclo[imagino o tempo como um círculo], e assim nada precisa ser criado. Mas meu pensamento não abstrai o suficiente pra imaginar algo que não precisou ter um começo. Inclusive o ciclo. Não quer dizer que seja impossível. Não acho que quem nos criou precise ser superior a nós. Não sei, na verdade, se acredito em superioridade. Acredito em diferença.
Anyway, sou uma marionete de mim mesmo. Isso quando só tenho que lidar comigo mesmo. Me “engano” fácil. Quem diria…..deve ser o cúmulo da ingenuidade. =D
“A mind, like a home, is furnished by its owner, so if one’s life is cold and bare he can blame none but himself.”
Louis L’Amour
See ya!
Tags: até aqui, automático, crença, estático, felicidade, ingenuidade, manipulação, paradoxo, referencial, símbolo, sufoco, superior, universo
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Uma tarde na cidade
Written by Daniel on 3 de julho de 2008 – 11:05 -Aproveitando meu primeiro dia de férias, decidi sair para rever a cidade. Andar por Venâncio Aires numa tarde de quarta com uma companhia agradável não tem preço.

photo credit: Nikonmotion
A intenção real era pesquisa de preços, e eu posso dizer que passamos por praticamente todas as lojas da cidade, e também houve pausa para um café com torta de limão, e depois uma Heineken. O resultado é pernas doendo e felicidade em demasia bem no meio da semana.
Como eu já havia comentado essas minhas férias prometem, mesmo que hoje a chuva resolveu cair sobre a cidade, e certamente continuará até a próxima semana. Isso não será um problema que atrapalhará minha curtição, amanhã já tenho chimarrão pré-combinado, quem sabe terça não sai chimarrão, pipoca e cuca de limão na Anny?!
As pessoas nesta cidade continuam as mesmas, elas não mudam em seu modo de agir ou pensar, só mudam a feição e o jeito de andar. Ainda continuam grossas e amáveis como sempre foram, variando no humor dependendo da pessoa.
O comércio continua centralizado no mesmo lugar de sempre, ou seja, o centro. Tudo esta lá como sempre esteve, as mesmas lojas, os mesmos bancos e os mesmos funcionários. Os prédios ainda possuem as mesmas cores de antes, só que agora elas estão desbotadas, e em alguns casos algumas paredes já ostentam pedaços sem tinta, coisas do tempo.
Posso dizer que me bateu certa preocupação ao escutar um som alto de pessoas conversando na frente de uma loja, mas não eram os palhaços que eu temia, era apenas propaganda ‘de boca’ mesmo.

photo credit: Nikonmotion
Detalhes esses que percebemos só quando estamos fora do nosso ritmo diário, é bom ter tempo para olhar para as vitrines (atividade preferida das mulheres) e ficar entrando em toda loja e perguntando o preço de determinado produto, afinal eu sou pobre, só pergunto o preço e digo que estou olhando; fazendo pesquisa de preços
Amanhã talvez uma segunda rodada, quem sabe em outra cidade
Tags: cidade, felicidade, férias, lojas, pesquisa, tarde
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