Respeitar o limite alheio faz bem a saúde

Written by Daniel on 22 de julho de 2008 – 13:00 -

Aliás, faz bem a saúde de todas as partes envolvidas, e não somente de uma ou duas delas.

Limites físicos são claramente percebidos por qualquer um, mas a questão que quero levantar com esta postagem se baseia nos limites mentais, aqueles onde a barreira entre a realidade e ficção podem se confundir de maneira a distorcer os fatos, enganar tanto o expectador quanto ao locutor.

Como seres humanos dotados de qualidades e defeitos (basicamente falando), cada um de nós têm um limite para variados aspectos, muitas vezes nem nós os conhecemos, e querer que os demais os respeitem vai além da necessidade própria, é questão de bom senso mútuo.

Digo isso, pois neste final de semana tive um claro exemplo de desrespeito dos limites alheios, e a pessoa que o cometia nem percebeu o quão leviano eram seus atos, até dizia ter razão neles, poderia dizer que se tratava de egoísmo, mas a intenção nem era essa, foi meio acidental mesmo.

Ao infinito e além! Mas a 40km/h...

Na minha opinião, esse excedimento por parte das pessoas ocorre pelo alto nível de individualismo que vivemos atualmente. Como já mencionei antes, os relacionamentos tem migrado para a Web e isto traz incovenientes desnecessários. A conseqüência disso é que perdemos a capacidade de perceber as pessoas ao nosso redor.

Nessa incapacidade que temos de enxergar as necessidades (anseios) alheios, também encontra-se a incapacidade de perceber que os demais também possuem limites, e que em muitos casos, quebrar esses limites não é tão simples quanto se julga.

Não sou especialista na área, mas creio que um dos grandes agravadores do ‘aumento das limitações’ é o stress. Essa imponência que a sociedade nos pressiona em “produzir, produzir, produzir, qualidade, números, qualidade, produzir números, estatísticas, números, trabalho, você não deve ter tempo” têm levado muitos ao desespero, relatos de tentativa de suicídio por causa de stress tem aumentado, talvez, à vida tenha chegado ao limite do suportável para tais pessoas. Neste caso, devemos respeitar o limite delas? Afinal de contas, o suicídio pode ser encarado tanto como um ato de coragem como de covardia, mas isto é assunto para uma outra postagem.

Apontar erros/defeitos das demais pessoas é de extrema simplicidade, contudo, encontramos limites (às vezes intransponíveis) para ajudar a resolver estes ‘problemas’, e nem aí percebemos os nossos próprios limites.

No nosso egoísmo raramente iremos perceber o limite alheio, talvez, nem conseguiremos perceber o nosso próprio limite. A ajuda de um terceiro para a análise do caso se faz necessário para tal entendimento.

Creative Commons License photo credit: Diego Dalmaso


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O normal sou EU

Written by Daniel on 14 de abril de 2008 – 22:57 -

Durante muito tempo tenho lido, visto e ouvido acerca de que pessoas como eu são anormais na sociedade em que vivemos, que somos um grupo elitista e fora dos padrões do grupo em geral. Pois eu lhes digo, o normal sou eu, bem como minhas idéias e planos.


Quanto aos esportes
Garotos como eu não praticam muitos esportes e em geral não são experts nos que gostam de praticar. No entanto a sociedade tem padrões fixados de que somos sedentários, que vivemos plantamos sobre um computador e que em nossas estantes ao invés de medalhas de melhor atleta temos punhados de livros. Praticar esportes faz bem a saúde, agora dizer que em sua maioria os acéfalos corredores atrás de uma bola são a elite do bem-estar e progresso de uma sociedade é demasiado exagero. Para eu não interessa a quantia em euros paga pelo jogador tal, mas quanto de dinheiro sobrará do meu salário para poder comprar o livro X, investir na minha cultura é algo que eu faço sempre que posso e isso me traz felicidade, me faz um membro normal dessa sociedade que impõem padrões distorcidos do bem e do mal, do certo e do errado.

Quanto as gurias
Este é um ponto subjetivo, eu particularmente não namoro, não por falta de oportunidades, e no entanto não pretendo por um bom tempo. Sou um tanto impaciente para certos padrões femininos e suas necessidades de demonstração de sentimentos. No entanto somos julgados de forma que não gostamos de gurias, que seremos eternos virgens de boca e de sexualidade. O normal novamente sou eu, pois não saio por ai para ficar com 30 gurias em uma única noite, tento transar com todas elas em menos de uma hora e acho o máximo ser o maior dos idiotas que trocou o cérebro pela cabeça que esta localizada entre as pernas.

Quanto ao meio de locomoção
Em geral guris como eu preferem investir o dinheiro que possuem em algo de útil e não gastar este mesmo dinheiro em diversos acessórios e coisas pra fazer seu carro virar único mundialmente. Tunning é bonito, no entanto eu não vejo motivos satisfatórios para gastar R$20.000,00 para deixar o Gol 95 com uma cara diferente dos demais Gol’s 95. Por não fazermos parte destes mesmo padrões somos novamente taxados como geeks (antigo nerd)(eu gosto desse termo) sem uma vida social e punheteiros de plantão. No entanto eu vejo que investir em cultura, educação e lazer vale muito mais do que colocar em algum bem material, novamente o normal sou eu.

Quanto a vida social
Pessoas como eu tem a vida um tanto afastada dos acontecimentos da sociedade em que vivem, em geral procuram enxergar e buscar algo mais interessante para ser feito do que comentar que a filha de tal pessoa foi pega no motel fazendo sexo oral com outra tal pessoa da cidade. Pessoas como eu procuram pessoas com idéias e atitudes semelhantes, pois enxergam nessas pessoas que valham a pena ser exploradas na amizade. Eu sou normal, pois busco na vida e nas pessoas a felicidade, e não mais um bode expiatório.

Quanto aos assuntos
Pessoas como eu não estão interessadas em saber quem foi a última beldade excluída do BBB ou qualquer coisa do gênero, em geral suas discussões baseiam-se em assuntos interessantes variando conforme a hora. Muito menos buscamos saber quem são tais pessoas que fizeram tais coisas na festa tal da cidade. Nós somos normais pois nos preocupamos conosco e não vivemos em prol das futilidades alheias.

Quanto a necessidades que eles tem de nos manter
Mesmo com toda a sua pomposa hipocrisia a sociedade tem a necessidade de nos manter, pois sabem que somos o motor que faz mover as grande engrenagens do poder e do crescimento. E eles, acabam tornando-se os peões do acaso e da mesmice. Acabam sendo o que sempre foram e sempre serão, dando continuidade a uma bestialidade que eles conhecem, no entanto não sentem a mínima vontade de mudança.

Quanto à música
Guris como eu escutam música de qualidade, tem um ‘paladar’ mais apurado pela mesma. Jovens como eu são considerados adoradores do demônio por gostarem de rock, mesmo que uma parte destes escutem algo relacionado a gospel. Somos considerados o mal da sociedade por não freqüentarmos e interagirmos com os demais membros que estão fora do nosso grupo.

Eu sou o membro normal dessa sociedade, a quem eles maltratam e depois veneram! E você, é normal* também?

*Cada um tem a sua maneira de enxergar a normalidade.


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A necessidade da auto-afirmação

Written by Daniel on 28 de fevereiro de 2008 – 15:49 -

Toda sociedade ou grupo de pessoas necessita de um líder, fato este já consumado. Todos necessitam de alguém que denomine as ações de cada indivíduo dentro de um determinado local, todos somos de certo modo submissos a outrem. Problemas surgem quando um líder é denominado devido aos seus valores, sendo que estes valores são em grande parte ruim, e são todos amparados pela sociedade. A auto-afirmação é inerente ao ser humano, cabendo apenas a cada um ter o controle.

A auto-afirmação tem se tornado mais freqüente em vários locais da sociedade, geralmente protagonizada por jovens irresponsáveis ou com idéias deturpadas sobre o ser, ter e viver. Durante as últimas décadas temos visto a diminuição do machismo, e um aumento do feminismo. Por longos séculos homens se auto afirmavam senhores do poder e do mundo, mas a sociedade evoluiu e este sentimento hoje em dia se da de forma silencioso. Desde cedo as crianças aprendem que homem não chora, que deve ser forte e que jamais deve levar um desaforo para casa. Esta última é de fácil compreensão e aceitação.

Com o crescimento da criança e durante longos anos escutando as mesmas frases machistas, ao chegar à juventude este déficit de ideais é mais largamente visível e explorável. É na juventude que vemos os quase adultos impondo como autoridades máximas os seus carros tunados, fazendo dos mesmos uma máquina de desrespeito aos demais e uma forma de auto-afirmação machista. São esses mesmos carros que exibem a máxima do déficit de boas idéias, geralmente mostradas em pegas nas vias urbanas e como forma de ‘pegar minas’.

A televisão local Gaúcha e Catarinense tem exibido há vários dias propagandas com atrizes famosas falando sobre a violência no trânsito. São propagandas que atingem de certa forma a fundo o status de ‘macho dominante’ e a cabeça de ervilha dos jovens que enxergam em um volante o santo graal da vida. Não creio que essas propagandas tenham algum efeito significativo, afinal de contas as pessoas são ensinadas a pensar de tal maneira desde a infância, e mudar tal pensamento já na juventude é algo que me soa meio utópico, vide a sociedade em que vivemos.

O status de ’sou o macho dominante’ garante poder a pessoa que prega e tem tal status. Tal poder que a meu ver, raramente é empregado de forma consciente e saudável. O status na sociedade de hoje tem dado poder excessivo as pessoas, poder que a grande maioria anseia em ter, porém nem todos tem a chance de alcançá-lo. A sociedade obriga as pessoas a buscarem tal poder, mas coloca barreiras intransponíveis a certos indivíduos, e muitos não conhecem e conseguem viver em contradição.

O caminho para uma sociedade saudável todos conhecemos, investir em educação é preciso, porém pelo que eu tenho notado nossos governantes não estão interessados em investir em educação, afinal, fechar bibliotecas públicas e escolas tem se tornado uma prática comum.


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