Páscoa da hipocrisia
Written by Daniel on 22 de março de 2008 – 19:36 -
Quando eu digo que as pessoas são muito hipócritas muitos me martirizam, pois então vamos a mais uma análise sobre a hipocrisia da população justamente nesta época de reflexão, luz e desejos de gurias que concorrem a qualquer concurso de miss.
Se não me falha a memória, a 40 dias que antecedem a páscoa começa toda uma elevação da hipocrisia entre às pessoas de mesmo nível sócio-cultural e entre muitos outros com um pouco mais de ‘percepção’. Enfim, na semana que antecede a páscoa é que tudo se transforma numa festa religiosa do consumismo e das balelas em série.
Dezenas de encenações sobre a morte de Cristo são feitas por todo o país, milhares de telespectadores se amontoam em qualquer lugar que seja possível colocar uma bunda para assistir de camarote e sem conforto nenhum (claro porque fiel que é fiel pode sofrer um pouco para suprir o sofrimento de Cristo na cruz), e ai de quem tentar roubar seus 3 centímetros de espaço, este será morto em praça pública demonstrando o respeito e amor que aprendemos com Cristo. Novamente milhares se amontoam nas igrejas para que seus pecados sejam perdoados e toda sua burrice seja abençoada. Entre lágrimas e devoção do povo, encontram-se os padres e alguns pastores eufóricos e felizes, pois sabem que em pelo menos uma vez ao ano as igrejas estarão cheias e aquela vasilha onde são recolhidas as doações estaá abarrotada de trocos.
O comércio sorri de orelha a orelha visto que todo ano as expectativas de vendas são superadas e os lucros não param de crescer. As pessoas devotas nos três dias da festa cristã estão lá, esfregando-se freneticamente uma na outra e disputando a tapa cada cm² de chocolate disponível, com toda a alegria elas distribuem socos e pontapés festejando a paz e o amor de Cristo.
A sexta-feira é sempre santa, correr, gritar, brincar, comer em exagero, festejar, escutar música e qualquer outra coisa de um dia normal são proibidos. Mas nenhum fiél deixa de ir ao bar tomar a cervejinha após sair da missa ou ir à casa da amiga fofocar sobre como a vizinha foi com uma roupa feia que a deixava mais gorda do que já era. O prato típico da sexta-feira, peixe torna-se o ator principal de um banquete, famílias passam das 12:00min às 15:00min comendo seu delicioso banquete que varia de peixe de água doce à variados frutos do mar, mas sexta é dia de jejuar e não se pode comer muito.
No sábado a vida volta ao normal, a luta recomeça e os atrasados correm para comprar os presentes aos filhos, netos, afilhados e sobrinhos.
O domingo, o dia em que todos renascem com a alma renovada e o mau humor de sempre, pois o cunhado chato esta batendo à porta às 7 da manhã sabendo que no sábado à noite você bebeu além da conta para suprir o que não pode beber na sexta-feira e gostaria de dormir pelo menos duas horas a mais.
O banquete do almoço de domingo é ainda mais pomposo que o da sexta-feira. Variando de família para família o cardápio tradicional. As crianças correm e sujam a casa com um monte de chocolate, gritam e derrubam qualquer coisa que estejam em seu caminho durante toda a manhã e tarde de domingo, enquanto isso as mães das pequenas criaturas adoráveis estão mais preocupadas em contar que a filha da vizinha da namorada do tio-avô engravidou aos quinze anos de idade e não sabe quem é o pai.
Ao final do domingo todo mundo se despede com a mesma cara de sempre, e você deita-se na cama pensando que a partir daquele dia será uma pessoa melhor, terá um ano cheio de paz e amor e que fez o seu papel de cristão para este ano esta cumprido, como último pensamento, você ainda diz: “ufa, graças a Deus que tudo acabou, stress como esse só no ano que vem novamente”.
Se quiseres ser fiél, pelos menos seja como os crentes, que é como diz minha mãe, a bíblia deles fede a asa, pois estão sempre com elas embaixo do braço e são realmente fiéis, não são como os católicos que possuem bíblias fedendo a mofo.
Ademais, gostaria de desejar a todos os leitores uma excelente páscoa e que o senhor Jesus Cristo possa operar milagres em suas vidas, que o espírito de Natal seja renovado nessa data especial. E que a paz reine no mundo.
Tags: hipocrisia, páscoa, pessoas, religiosidade
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A necessidade da auto-afirmação
Written by Daniel on 28 de fevereiro de 2008 – 15:49 -Toda sociedade ou grupo de pessoas necessita de um líder, fato este já consumado. Todos necessitam de alguém que denomine as ações de cada indivíduo dentro de um determinado local, todos somos de certo modo submissos a outrem. Problemas surgem quando um líder é denominado devido aos seus valores, sendo que estes valores são em grande parte ruim, e são todos amparados pela sociedade. A auto-afirmação é inerente ao ser humano, cabendo apenas a cada um ter o controle.
A auto-afirmação tem se tornado mais freqüente em vários locais da sociedade, geralmente protagonizada por jovens irresponsáveis ou com idéias deturpadas sobre o ser, ter e viver. Durante as últimas décadas temos visto a diminuição do machismo, e um aumento do feminismo. Por longos séculos homens se auto afirmavam senhores do poder e do mundo, mas a sociedade evoluiu e este sentimento hoje em dia se da de forma silencioso. Desde cedo as crianças aprendem que homem não chora, que deve ser forte e que jamais deve levar um desaforo para casa. Esta última é de fácil compreensão e aceitação.
Com o crescimento da criança e durante longos anos escutando as mesmas frases machistas, ao chegar à juventude este déficit de ideais é mais largamente visível e explorável. É na juventude que vemos os quase adultos impondo como autoridades máximas os seus carros tunados, fazendo dos mesmos uma máquina de desrespeito aos demais e uma forma de auto-afirmação machista. São esses mesmos carros que exibem a máxima do déficit de boas idéias, geralmente mostradas em pegas nas vias urbanas e como forma de ‘pegar minas’.
A televisão local Gaúcha e Catarinense tem exibido há vários dias propagandas com atrizes famosas falando sobre a violência no trânsito. São propagandas que atingem de certa forma a fundo o status de ‘macho dominante’ e a cabeça de ervilha dos jovens que enxergam em um volante o santo graal da vida. Não creio que essas propagandas tenham algum efeito significativo, afinal de contas as pessoas são ensinadas a pensar de tal maneira desde a infância, e mudar tal pensamento já na juventude é algo que me soa meio utópico, vide a sociedade em que vivemos.
O status de ’sou o macho dominante’ garante poder a pessoa que prega e tem tal status. Tal poder que a meu ver, raramente é empregado de forma consciente e saudável. O status na sociedade de hoje tem dado poder excessivo as pessoas, poder que a grande maioria anseia em ter, porém nem todos tem a chance de alcançá-lo. A sociedade obriga as pessoas a buscarem tal poder, mas coloca barreiras intransponíveis a certos indivíduos, e muitos não conhecem e conseguem viver em contradição.
O caminho para uma sociedade saudável todos conhecemos, investir em educação é preciso, porém pelo que eu tenho notado nossos governantes não estão interessados em investir em educação, afinal, fechar bibliotecas públicas e escolas tem se tornado uma prática comum.
Tags: auto-afirmação, filosofia, necessidade, pessoas
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Quando a vida alheia se torna mais interessante
Written by Daniel on 25 de fevereiro de 2008 – 17:19 -
Viver para si e consigo parece já ter perdido todo o sentido, as coisas repetitivas e o nosso cotidiano fazem com que a nossa própria vida perca totalmente a graça. As mesmas ações, pessoas e atitudes tem nos tornado cada vez mais seres automatizados e totalmente sem controle sobre si próprio. Conseqüentemente as aspirações que imaginamos parecem sempre estar presentes na vida e cotidiano de outrem, assim a vida deles parece ser sempre mais interessante e com significado mais importante.
Ver no outro o corpo ou a inteligência que gostaria de possuir são dois grandes motivos do interesse pela vida alheia. Posso até errar em dizer, mas enxergar no outro a parte física como um objeto de desejo é um ato comum a população mundial. Aqui não atribuo somente nós brasileiros que temo interesse demasiado na vida do outrem, mas sim a todos os seres humanos que vivem a cobiça do corpo perfeito, visto os altos números de pessoas com doenças psicológicas em busca de tornarem-se o ‘Homem Vitruviano’.
Fanatismos fazem com que cada detalhe da vida da pessoa deva ser conhecido, estudado e revelado aos demais. Ter uma vida pública pode ser benéfico se olhada de vários ângulos, mas a exposição é algo ruim visto que toda ou quase toda a privacidade seja perdida.
Pode parecer simples demais, mas a falta do que fazer também é um dos motivos para importar-se mais com a vida alheia do que consigo. O simples fato de desligar-se de si mesmo (o que às vezes é necessário) faz com que as pessoas voltem toda a sua atenção para outrem. Tal atitude já ’soa’ como normalidade na sociedade em que vivemos, sociedade essa que valoriza a inversão de valores e que é cada vez mais aceita pela grande massa.
Se existe uma coisa que eu realmente acho babaca no mundo das redes sociais e na vida cotidiana são as gurias (em grande parte tais frases são proferidas por gurias) que perseguem um pensamento padrão, quem já não viu as famosas frases:
“Gostou, pega ficha. Pegou a ficha, final da fila. Final da fila, espera tua vez. Chegou a tua vez, pega de jeito. Não pegou de jeito, abriu para a concorrência. Abriu pra concorrência, perdeu. Quer de novo? Pega fichar. Chegou a tua vez, desculpa mas figurinha repetida não completa álbum”
“Você tem inveja, nunca poderá ser melhor do que eu”
Estas duas frases denotam o verdadeiro retrato da padronização que a sociedade vem impondo as pessoas, tal fato faz com que as mesmas percam o interesse em si próprias, como já citei mais acima. Muito embora em alguns casos exista realmente a inveja de alguém sobre outrem. Este sentimento é inerente as pessoas e saber contorná-lo é mais simples do que muitos imaginam.
Muito embora tais atitudes em geral denotem ser prejudiciais, vale ressaltar que o interesse na vida do outrem pode ser benéfico até certo ponto. Isso quando tal interesse for para o benefício do outrem, do seu bem estar e da felicidade do mesmo, pois todos necessitamos sentir e saber que existem pessoas que se preocupam conosco.
Com o passar do tempo as pessoas aqui denominada ‘xeretas’ acabam perdendo todas as carterísticas pessoais, doando-se por completa a vigiar a vida de outrem e chegando até mesmo a vivenciar as mesmas situações. A total perca de si volta ao início de tudo, que é a total perca de interesse por si e pela vida própria.
Por fim, viver sem interesse total pela vida alheia seria impossível, preocupamos com muitos detalhes das pessoas que gostamos, mas tornar isto uma filosofia de vida faz-se extinguir a si próprio, gerando padronização é ignorância, certamente por isso programas como BBB façam tanto sucesso no Brasil. A sociedade já tem nos exigido muitos padrões de comportamento, não queiramos aceitar mais este de forma satisfatória e benévola.
Tags: filosofia, outrem, pessoas, vida alheia
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Fluorescência no dia-a-dia
Written by Daniel on 13 de janeiro de 2008 – 14:26 -A alguns dias estava eu sentado em frente a minha casa, esperando a carona dos colegas para a janta de final de ano da empresa. Enquanto aguardava, fiquei olhando televisão (coisa rara), e observei um notícia que me chamou muita atenção. Falava sobre cientista japoneses (ou chineses) que criaram por meio de modificação genética um gato que brilhava no escuro, ou seja, um gato fluorescente.
Naquele momento eu fiquei de queixo caído, pois não sabia se eu achava aquilo bizarro ou absurdo, visto que existem tantas doenças para ser curadas, e os caras dos olhos puxados ficam se preocupando em fazer bixanos clubbers (o apelido para os gatos foi dado pelo Kilmister), contudo, aceitei a idéia e resolvi deixar isso de lado. Fotos dos bixanos abaixo
Depois de ver os bixanos, o que poderiamos pensar de tal? Eles poderiam animar as tão frequentadas raves? Ou apenas mais um objeto de desejo dos clubber?! Agora do reino animal é claro.
Passado alguns dias, estava eu me preparando pra sair e fui tomar meu banho, ao entrar no banheiro verifico que só havia restos de sabonete, voltei e fui ao balcão e peguei um sabonete novo, ao abrí-lo que veio-me a surpresa, como se não bastasse termos gatos clubber, agora temos sabonetes clubber.
A supresa foi tamanha ao ver que o sabonete era muito verde limão, e que possivelmente ele poderia ser visto no escuro (não fiz o teste, ainda).
Pelo que ando percebendo, a moda do verde limão fosforescente esta voltando, e parece que desta vez foi emcabeçado por todos os setores da ecnomonia.
Possivelmente, em breve, você poderá comprar nas raves mais badaladas da sua região, o extase fuorescente, quem sabe você também não fique iluminado?!
Tags: comportamento, fluorescência, gatos, idéias, japoneses, pessoas, vida
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