Acabou? Mas por quê?

Um sábado à noite com serração e ninguém a fim de ficar mais doente do que já estava. A boa pedida é ir para o apartamento de Mariana olhar algum filme, comer uma pipoca e tomar um vinho aproveitando o frio. Conversa vai, conversa vem até que o Jhonny exclama: ‘Guerra de almofadas!’. No entanto as gurias já estavam dormindo e decidimos que não iríamos incomodá-las. Então o Jhonny continuou comentando sobre como ele e a irmã brincavam de guerra de almofadas e coisas parecidas até pouco tempo atrás. Até que o Murilo levanta a questão, ‘acabou, mas acabou por quê?’.


Creative Commons License photo credit: Stoker Studios

Nessa questão não estávamos enquadrando relacionamentos de um casal, mas sim de coisas que sempre fazíamos e que eram divertidas, e em nossas lembranças ainda a são, mas que por algum motivo não aparente simplesmente acabou, saiu da rotina.

Freqüentemente deixamos hábitos agradáveis e corriqueiros de lado para nos entregar a outros hábitos que se tornam corriqueiros, e estes novos hábitos acabam suprindo toda a necessidade, certamente de forma mais satisfatória, do que as velhas ações e atitudes supriam. Contudo as velhas ações deixam saudades e boas lembranças e por vezes forçam a tentativa da retomada, muitas vezes sem o sucesso satisfatório.

Existem dezenas de lembranças na mente de cada um, dezenas de acontecimentos que poderiam ser facilmente retomados atualmente, no entanto parece-me que existe uma incerteza quanto à retomada destes. Ou talvez, as pessoas acham que é melhor que elas fiquem apenas no passado, como uma boa lembrança de uma época distante.

Ainda me lembro das jantas em família, das noites no cemitério com os amigos (sim eu ia :P), das brincadeiras de pega-pega com minha irmã e ademais coisas do passado que poderiam ser facilmente retomadas. Porém, não a são.

Em tudo existe um começo, um meio e um fim. Nossa rotina temporal não poderia ser diferente e talvez possamos dizer, não deve ser diferente. A vida também termina.

Então, quais são as suas coisas do passado que poderiam ser facilmente retomadas atualmente no entanto continuam no passado?

 

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Retomar é…

Como esta escrito no meu ‘about‘ aqui no blog, no início de 2007 eu prestei vestibular para o curso de Engenharia da Computação na Univates - campus Lajeado e freqüentei o curso durante todo o ano.

univatesNo final de 2007 decidi tomar um novo rumo na minha vida, resolvi que iria sair do país e tentar a sorte no Canadá e acabei deixando a faculdade. Foram apenas quatro matérias concluídas d’um total de sessenta e três.

Desde dezembro, quando às aulas terminaram eu vinha me sentindo o último dos inúteis, algo como um apenas peso de papel sem valor algum.

Uma amiga falou-me certa vez que ela nunca iria parar de estudar, que gostaria de ficar na faculdade ou meio até não ter mais forças para andar, na época eu estava na segunda série do Ensino Médio, não agüentava mais professores e provas, e a chamei de louca por desejar para si este tipo de carma.

Hoje vejo o quanto foram tolas aquelas palavras e o quanto desejo estar no meio acadêmico. Desde o início do ano letivo até agora não se passaram cerca de dois meses, mas foram suficientes para ver que eu necessito de estudos e aprendizado constante.

Há cerca de duas semanas tive que adiar a data da minha partida, ao mesmo tempo em que recebi um e-mail do CTTI da faculdade informando a abertura de novas turmas em diversos cursos. Como a vontade de retomar os estudos era grande, aliado a minha mudança de datas da viagem eu decidi que iria voltar às aulas.

Ontem à noite peguei a mesma Topic que eu sempre pegava para ir à faculdade, sai no mesmo horário e cheguei no mesmo horário da rotina de 2007. Ao chegar lá me senti novamente em casa, retomando o que eu tinha deixado para trás sem querer deixar. Cada pequeno canto daquele campus me alegra e me faz sentir mais útil. Sentir novamente o cheiro do café no bar, o gosto do tradicional pastel de frango com o tradicionalíssimo Frukito sabor laranja me fizeram sentir melhor.

Durante o intervalo uma boa conversa com uma colega de topic sentados num banco em frente a um corredor de grande movimento, conversando sobre qualquer coisa e vendo movimento das pessoas que por ali passavam. Coisas pequenas, mas de grande valia para mim.

Como eu havia ido de topic, eu teria que aguardar até todo mundo sair para poder voltar para casa (a faculdade é em outra cidade). Durante o horário de aula fiquei a vagar silenciosamente pelos corredores, bares, prédios e jardins. Sentado durante horas no banco tradicional onde eu ficava pus-me a ler e a escutar Nebel - Rammstein, uma trilha sonora perfeita para o momento. Vislumbrei a biblioteca a qual eu visitava semanalmente e sempre pegava algum livro. Relembrei todo um ano que eu havia passado naquele local que considero minha segunda casa.

Matrícula feita, as aulas começam na próxima quarta-feira, é apenas um semestre tendo uma aula por semana, mas já considero suficiente para retomar o que eu deixei para trás sem querer deixar.

Um dos maiores medos que meu pai diz ter, é de que eu irei e jamais voltarei ao Brasil, inicialmente eu pensava desta maneira. Porém é como dizem, nada como o nosso país. E caso um dia eu volte, espero poder fazer parte novamente do Universo Univates, estar novamente na universidade que passei tão pouco tempo, mas que foi o suficiente para me fazer adorá-la.

Recordar é viver, retomar é…

PS: A foto é uma ilustração do campus. Clique nela para ampliar.
O curso é ‘Desenvolvimento WEB PHP’ :)