barbaridade.org | RSS Feed das postagens | RSS Feed dos comentários

Mutação

É disso que trata um dos mais antigos livros da Terra: I-Ching.

Beware, bit traveler: you’re about to enter a Oceanus Procellarum site.

Segundo a lenda, o imperador chinês Fu Hsi estava passeando à beira de um lago, quando um dragão submergiu daquelas águas…..o tal dragão tinha, desenhado em suas costas, o Bagua, ou Taichi, ou Taegeuk, ou o Yin Yang com oito trigramas [combinação de três traços, ininterruptos ou segmentados] em sua volta, que seriam a base de todos os outros 64 vindouros.

Ao ver aquilo, o imperador teve uma brainstorm: viu que aquela era a resposta para tudo no universo[e Einstein perdendo tempo procurando a Teoria de Tudo, quando ela já estava lá desde sempre, hehehehehe].Dado o pontapé inicial, acredita-se que houveram mais três autores que colaboraram com o livro. Entre eles, Kung Fu Tsé, latinamente conhecido como Confúcio. Alguns dos autores eram objetivos; o último deles, subjetivo ao extremo, deixando a leitura [mais] árdua e multifacetada.

Combine isso ao fato de que o chinês usado no livro é hoje arcaico: nem os chineses sabem a tradução correta.

Este livro é um símbolo extremamente forte[depois citarei como ele está presente na minha vida a cada dia], e sobreviveu a crises e pontos de mutação:houve a época em que místicos-filósofos eram contratados para aplicar os ensinamentos e mensagens ‘biscoitonho da sorte’ na administração dos impérios; houve a época em que o martelo e a foice quase extinguiram o livro que atuava como um prisma, onde qualquer luz incidente se transforma num leque de luzes dissidentes, sugerindo que não há verdade absoluta, mas sim mutação constante[o livro sobreviveu na clandestinidade até que uma nova versão foi impressa, e a foice do ceifador sinistro aquietou-se];assim como houve a época em que Gottfried Leibniz viu seu sistema binário aplicado nos trigramas: simples, objetivo, elegante e fundamental; há a época onde o conhecimento é mais valorizado do que em qualquer outra era, e quase qualquer um pode ler as informações do tal livro e ver onde elas se aplicam em sua vida diária.

Estava eu, há alguns anos, aproveitando a programação paga recém adquirida[com muito esforço]:programa sobre artes marciais. Vi o Tai Chi Chuan, onde a força do oponente transforma-se em seu pior algoz; vi a modalidade de Kung Fu onde todos os movimentos eram feitos pisando-se nos trigramas imaginários; vi yoga; vi a busca constante de equilíbrio.

Estava eu, há alguns anos, tendo meu primeiro contato com a Física: aprendi como todas as forças vêm em pares, com seu oposto equivalente.

Estava eu, há alguns anos, na casa de amigos:lá foi comentado a prática de Taekwondo, e foi assim que comecei a aplicar mais energicamente alguns ensinamentos do I-Ching em minha vida, sem perceber.

Estava eu, há alguns anos, vivendo e descobrindo o mundo:cheguei à conclusão, para a minha surpresa, que o mau não era, de todo, mau. Sem ele, como eu poderia saber o que é bom e aproveitar isso? Cheguei à conclusão de que o certo e o errado eram relativos. Relativos demais. Nem perto da certeza absoluta, inabalável e irremovível que eu achava reinante.

E estava eu, semana passada, pensando sobre os símbolos para fazer um post no 21horas. Foi nesse shatter point que tudo começou a se encaixar perfeitamente: os taeguks do Taekwondo[análogos a katas do Karate ou katis do Kung Fu], não por acaso, começam e terminam com o praticante no mesmo ponto. Não por acaso, têm esse nome. A bandeira da Coréia do Sul, não por acaso, tem o taegeuk vermelho e azul em seu centro, com os trigramas representantes do céu, terra, fogo e água[ou Paraíso, Terra, Sol e Lua; ou harmonia, simetria, equilíbrio e circulação; ou virtude, justiça, cortesia e sabedoria; e por aí vai]. O dobok do Taekwondo [análogo ao Kimono do Karate e Judo] é branco, e isso não representa só a pureza; já que o praticante de Hapkido[arte irmã, torção que usa a força do oponente] tem dobok preto, e ele não é impuro; o branco[yang] simboliza o sol, o movimento, a força, o masculino, o calor, a rapidez: o Taekwondo é rápido e agressivo, treinos físicos pesados, chutes explosivos; o preto[yin] simboliza o estático, a maciez, a conservação, o feminino, a noite: o Hapkido é circular e suave, ataca pontos críticos e usa a força do adversário…..alguém que pratica as duas artes tem possibilidades de atacar incessantemente quando necessário, e se defender de oponentes muito mais fortes quando preciso. No Taekwondo, o atacante definitivamente machucará seu oponente, e talvez se machucará no processo; no Hapkido, o praticante deixa a escolha para seu oponente: mexa-se mais um centímetro e romperá seus próprios ligamentos. Uma junção das duas? Ideal e necessária.

-O equilíbrio emocional foi decisivo em muitos pontos da minha existência: na hora de prestar vestibular; na hora de priorizar um futuro bom em detrimento de uma vida boêmia em função de status[ruim, diga-se de passagem]; na hora de abaixar[ou levantar] a cabeça e reconhecer que o tão buscado equlíbrio emocional permaneceu por tempo demais confundido com inação e, de certa forma, insensibilidade; na hora de ignorar atitudes prejudiciais tomadas por outrem para me atingir, ou atingir quem eu amo, e não buscar vingança[tá, talvez o que tenha tido grande contribuição para me convencer a optar pela inação mais uma vez foi a certeza de que o equilíbrio seria reestabelecido, de uma forma ou de outra; eu não precisaria sujar minhas mãos para tal, muita gente o faz por impulso, em toda oportunidade(inclusive o outrem citado anteriormente, capisce?); e acho, sinceramente, que não conseguiria(mesmo que quisesse) vingar-me seguindo o modus operandi do outrem: com a sutileza de um trem desgovernado]

Essas são apenas algumas vertentes das aplicações infindáveis do Livro das Mutações.

-Acontece que até o equilíbrio deve ser equilibrado. Eu demoraria muito para me expressar sobre isso, e teve alguém que já o fez bem melhor do que eu jamais faria:”Sempre que alguém afirma que dois e dois são quatro e um ignorante lhe responde que dois e dois são seis, surge um terceiro que, em prol da moderação e do diálogo, acaba por concluir que dois e dois são cinco…” [José Prat]

Mindfucking Brainstorm! Ahn, not that much.

Trechos do I-Ching:

“As leis naturais não são forças externas às coisas, mas representam a harmonia e o movimento inerente às próprias coisas”

“Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação.
A luz poderosa que fora banida ressurge.
Há movimento, mas este não é gerado pela força…
O movimento é natural, surge espontaneamente.
Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil.
O velho é descartado e o novo é introduzido.
Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.”

Hum, I think that’s it…..farewell, my friends.

“In times of adversity, be not without hope, for crystal rain falls from black clouds.” [Nizami]