Inflói e contribói
Written by Daniel on 17 de abril de 2008 – 21:47 -Ontem à noite eu estava na lanchonete da faculdade jantando o tradicional pastel de frango com Frukito e olhando televisão, no entanto uma propaganda me chamou bastante atenção pela informação ‘distorcida’ que passava, usando como argumento à famosa liberdade de expressão.
A propaganda (se não me falha a memória) foi feita pela ABERT e tem como objetivo defender a liberdade de expressão das marcas de cerveja, dizendo que as mesmas não têm a culpa pelo alto número de acidentes de trânsito, violência e demais males causados pelo alcoolimo, julgando de forma pejorativa as pessoas que realizam estes atos. Mas me parece que eles faltaram às aulas do tio Jobs para aprender como funciona o campo de distorção da realidade.
Nas propagandas de praticamente todas as marcas de cerveja o que não pode faltar é gente bonita, muitas mulheres de biquíni exaltando toda a sua beleza e a diversão da galera em qualquer lugar. Algumas ainda vinculam que antes de estar ingerindo a bebida o momento é chato, as mulheres são feias e gordas e tudo é estressante. Contudo existem variações de propaganda conforme a marca. As cervejas consideradas mais top’s não vinculam propaganda na televisão, utilizando somente o meio impresso e em boa parte suas propagandas falam da cerveja em si, dos métodos de fabricação da mesma e da qualidade. Com as marcas mais povão o que esta em alta é exibir modelos com homens baixinhos, feios e gordos, denotando assim que sem o consumo de tal marca de cerveja isso não seria possível, sempre com o copo cheio e cartazes espalhados por todos os lados com o logotipo da marca.
Como a mentalidade da população brasileira é facilmente alterada, opiniões são implantadas num estalo de dedos, essas propagandas denotam facilmente que somente ingerindo a tal cerveja é que a pessoa poderá ser feliz, ter seu lugar ao sol e ficar com aquela guria linda e gostosa.
Toda propaganda influi os telespectadores a consumirem o produto ao qual esta se fazendo a propaganda, sem distinção do tipo de produto. E me parece que é isso que a ABERT não esta querendo enxergar, que incentivar o consumo das bebidas alcoólicas é sim um dos fatores culpados pelo alcoolismo, que o incentivo do consumo faz sim motoristas saírem bêbados e matarem, que o incentivo é um dos fatores prejudiciais a todos os males que envolve bebidas.
O projeto que esta em trâmite não proibi a vinculação da propaganda de bebidas alcoólicas, no entanto limita horários em que elas devem ser feitas, e o horário é justamente o dito nobre, justamente no horário em que as emissoras alcançam o maior números de telespectadores. A meu ver não existem motivos para reclamação e caso eu tivesse o poder de decisão sobre o conteúdo das propagandas, praticamente todas seriam banidas caso não se adequassem as regras.
O Arthurius do Visão Panorâmica comentou comigo certa vez que cada um deve decidir o que é melhor para si em vários quesitos, porém a indústria tem abusado da baixa capacidade de discernimento da população Brasileira para encher ainda mais seus cofres, e como esta mesma população é incapaz de decidir para si o que é prejudicial ou não resta aos políticos tomarem uma decisão para frear um pouco esse abuso, vez e outra eles tomam alguma decisão importante.
Por isso eu afirmo, a propaganda inflói e contribói sim, e digo mais, a propaganda da ABERT foi muito infeliz, da próxima vez eu sugiro que eles não digam ao povo que eles são irresponsáveis, idiotas (mesmo sendo) e que a indústria é a coitadinha da estória. Diz um ditado que o consumidor tem sempre a razão, e falar o contrário em horário nobre fica feio.
Eu sou a favor dessa limitação de horários para a vinculação da propaganda de bebidas alcoólicas, bem como a proibição das vendas das mesmas em postos, bares e restaurantes que ficam nas margens das estradas, e que venham também as novas leis do trânsito.
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